Como escolher uma clínica de medicina estética segura

Um checklist prático para verificar profissional, registo ERS, produtos, consentimento e acompanhamento antes de fazer toxina, preenchimento ou outro procedimento.

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Uma fotografia bonita, muitos seguidores e uma sala com aspeto clínico não provam que estás num estabelecimento de saúde ou perante um profissional habilitado. A própria Entidade Reguladora da Saúde faz esse alerta e, em 2026, reforçou a fiscalização e a informação ao público nesta área.

Até ao fim de 2025, a ERS tinha recebido 438 pedidos de informação sobre habilitações e requisitos de funcionamento e identificado centenas de estabelecimentos denunciados que justificaram fiscalização. Não é motivo para ter medo de todos os tratamentos. É motivo para saber o que verificar.

1. Confirma quem te vai tratar

Não perguntes apenas o nome da clínica. Pergunta quem realiza o procedimento e qual é a sua inscrição profissional.

Segundo a ERS, a aplicação de toxina botulínica e ácido hialurónico injetável deve ser realizada por médicos ou médicos dentistas inscritos nas respetivas ordens profissionais em Portugal. Certificados de cursos, formações no estrangeiro ou experiência anunciada nas redes sociais não substituem essa inscrição.

Podes pesquisar o profissional nos diretórios públicos da Ordem dos Médicos ou da Ordem dos Médicos Dentistas.

Eu identifico de forma pública o meu nome e número profissional: Paulo Soares Marques, OM 65889. Não tens de aceitar uma credencial apenas porque aparece num site; podes verificá-la.

2. Confirma o estabelecimento na ERS

Procedimentos de saúde devem ser realizados num estabelecimento registado e, quando aplicável, licenciado para a tipologia de atividade. A certidão de registo e a licença devem estar afixadas em local visível.

A ERS disponibiliza uma pesquisa pública de prestadores. O registo associado à minha atividade é E168767.

Uma nuance importante: estar registado na ERS não significa que a clínica seja “certificada” ou “acreditada” pela ERS. A própria entidade proíbe esse uso enganador das expressões. Significa que o estabelecimento integra o registo regulado e está sujeito aos requisitos aplicáveis.

3. Exige uma avaliação antes do procedimento

Uma consulta séria inclui doenças, alergias, medicação, gravidez ou amamentação, tratamentos anteriores, tendência para cicatrizes e expectativas. Também inclui a possibilidade de ouvir “não”.

Marcar por mensagem e chegar apenas para injetar ignora informação que pode mudar a indicação. Uma promoção não é um diagnóstico e uma fotografia enviada pelo telemóvel não substitui a observação presencial em procedimentos injetáveis.

4. Sabe que produto vai ser usado

Pergunta o nome, a finalidade, a quantidade e se existe rastreabilidade por lote. No caso da toxina botulínica, trata-se de um medicamento sujeito às regras do INFARMED; no ácido hialurónico injetável, devem existir marcação e informação regulamentar adequadas ao produto.

Desconfia de seringas já preparadas sem embalagem visível, produtos sem identificação ou respostas como “é uma marca branca, mas é igual”. Tens direito a saber o que entra no teu corpo.

5. Lê o consentimento — não apenas assines

Consentimento informado não é um papel que protege a clínica. É uma conversa que te protege a ti. Deve explicar o objetivo, alternativas, efeitos esperados, riscos relevantes, recuperação e o que fazer se surgir um problema.

Frases como “não tem risco nenhum” são um sinal de alarme. Mesmo procedimentos frequentes podem causar infeção, assimetria, lesão vascular, necrose ou outras complicações raras. Informação honesta não serve para assustar; serve para permitir uma decisão livre.

6. Pergunta pelo plano de emergência e acompanhamento

Quem faz preenchimentos com ácido hialurónico deve saber reconhecer uma oclusão vascular e ter um protocolo de atuação. Quem utiliza toxina deve conhecer anatomia, efeitos adversos e referenciação. Em qualquer procedimento deve existir forma de contacto e indicação clara sobre sinais de alarme.

Pergunta:

  • Quem contacto se tiver dor, alteração de cor ou visão?
  • Existe reavaliação?
  • O profissional que me tratou acompanha a complicação?
  • O local tem material e medicação adequados?

Se estas perguntas forem recebidas como desconfiança ou incómodo, isso já é informação útil.

7. Não confundas popularidade com competência

Antes e depois podem estar selecionados, editados ou nem sequer pertencer a quem os publica. Seguidores podem medir capacidade de comunicação, não formação clínica. Testemunhos ajudam a perceber a experiência de outras pessoas, mas não substituem registos profissionais e legais.

Procura uma comunicação que mostre limites: resultados variam, nem toda a gente é candidata e alguns problemas precisam de outra especialidade. A honestidade sobre o que um tratamento não faz é um bom sinal.

8. Avalia a pressão comercial

Tens direito a tempo para pensar. Promoções com contagem decrescente, pacotes pagos antes da avaliação ou pressão para acrescentar zonas tornam mais difícil um consentimento verdadeiramente livre.

Um plano pode combinar tratamentos, mas cada componente deve ter uma razão. “Já que estamos aqui” não é uma indicação médica.

Checklist antes de marcar

  • Sei o nome e a profissão de quem me vai tratar
  • Confirmei a inscrição na ordem profissional
  • Confirmei o estabelecimento na ERS
  • Tive avaliação e oportunidade de fazer perguntas
  • Sei o nome e a quantidade do produto
  • Recebi informação sobre riscos e alternativas
  • Sei quem contactar depois
  • O preço, reavaliação e manutenção foram explicados
  • Vou receber documentação e fatura

Porque valorizo a avaliação por um médico

Ser médico não torna ninguém infalível. A vantagem está na formação para integrar anatomia, doenças, medicação, diagnóstico diferencial, prescrição e resposta a complicações, além dos deveres éticos e disciplinares associados à Ordem dos Médicos.

Na medicina estética, a decisão mais importante acontece muitas vezes antes da agulha: perceber se aquela alteração é estética, se pode ser sinal de doença, se um medicamento muda o risco ou se o tratamento pedido não é adequado. É aí que a formação médica global acrescenta valor.

Em resumo

Uma clínica segura não se reconhece pelo luxo da sala ou pelo número de seguidores. Reconhece-se por elementos verificáveis: profissional habilitado, estabelecimento registado, produto rastreável, avaliação, consentimento e acompanhamento.

Verificar demora poucos minutos. Corrigir um procedimento feito no local errado pode demorar meses — e algumas complicações não são reversíveis.

Fontes

  1. Entidade Reguladora da Saúde. Perguntas frequentes — Cuidados de saúde ligados à estética. 2026.
  2. Entidade Reguladora da Saúde. Nota Informativa n.º 2/2026 — Intervenção da ERS nos cuidados de saúde ligados à estética. 10 de abril de 2026.
  3. Entidade Reguladora da Saúde. Campanha Cuidados de Saúde Ligados à Estética. 2026.
  4. Ordem dos Médicos. Definição de ato médico estético. 2023.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Se estás a considerar um procedimento, confirma sempre o profissional, o estabelecimento e o produto. Faço consultas de avaliação médica em Braga e Guimarães. Marca a tua avaliação.